quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O IDH e as celas mistas do Pará

De acordo com o relatório de Desenvolvimento Humano 2007-2008 divulgado ontem pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) da ONU, o Brasil se encaixa agora entre as nações em "alto desenvolvimento humano". Isso porque o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) brasileiro ficou em 0,8 em uma escala que vai de 0 a 1. O IDH se baseia nas taxas de alfabetização, riqueza, educação, esperança de vida, natalidade, entre outros fatores para avaliar a qualidade de vida da população. Ano passado o IDH do país ficou em 0,792.
Ao saber do resultado, o presidente Lula disse "que o país vive um momento tão especial que nós poderemos nos dar ao luxo de dizer que 'somos abençoados por Deus'".
Na mesma semana foi descoberto que uma menina de 15 anos esteve detida por mais de 20 dias numa cela com cerca de 20 homens em Abaetetuba, no Pará. Uma reportagem publicada hoje na Folha de São Paulo revela que casos de celas mistas são comuns no interior do estado.

O resultado do relátorio da ONU é realmente animador, mas alegar que somos uma nação abençoada diante de casos como esse e o do morador de rua que foi queimado no centro de São Paulo na madrugada de terça-feira é frustrante para a população que vê tudo isso de perto.
O aumento de 0,008 no IDH brasileiro não representa nada para as meninas paraenses que continuam sendo violentadas dentro de celas mistas ou para o moradores de rua dos grandes centros. É apenas um dado burocrático, que não reflete a realidade do país, já que por aqui, não houve aumento de qualidade de vida nenhum.

http://http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u349653.shtml
http://http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u349308.shtml
http://http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2007/11/27/ult4728u5243.jhtm

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Jornalismo em 1º lugar na Fuvest

O curso mais concorrido da Fuvest 2008 é o de Jornalismo, com 41 alunos por vaga. Depois vêm Publicidade e Propaganda e Relações Internacionais. Medicina, um dos cursos mais tradicionais da Universidade de São Paulo ficou em quinto lugar, por ter um número maior de vagas.
Como estudante de jornalismo eu fico contente de saber que a área está ficando mais popular e acho isso muito positivo para o futuro da imprensa no Brasil, porém é preciso lembrar que o curso também é o que apresenta a maior taxa de evasão na maioria das universidades.

Nessa época do ano é comum ouvir entre os vestibulandos que o difícil não é entrar na faculdade, e sim sair dela. Verdade. Grande parte dos calouros entra na universidade muito cedo: logo que completam o Ensino Médio, ou então após um ano de cursinho. Quando entram no mundo acadêmico percebem que o ritmo de trabalho é outro, que as exigências agora não são uma obrigação para com a instituição, mas têm a ver com o futuro desses jovens.
O Jornalismo em particular exige uma dedicação que só virá daqueles que realmente acreditam na profissão. É quase uma ideologia. Não é simplesmente saber escrever bem.
Desde o começo do curso eu vi muita gente sair porque se decepcionou, porque esperava outra coisa. Por isso é importante conhecer o dia-a-dia da profissão, a grade curricular, a bibliografia...enfim, o máximo que puder sobre o curso antes de fazer a prova.

Qualquer área exige esforço e muita dedicação. Nesse momento não é preciso ter pressa. Nem adianta se sentir culpado por não saber o que fazer da vida. Uma escolha consciente requer mais tempo, mas vale mais a pena. Ao escolher uma profissão que não se conhece direito ou que não se gosta é quase certo que a frustração não deixe o estudante terminar o curso ou então o transforme em um profissional medíocre, sempre longe de seu potencial.
As chances no mercado e a remuneração acabam se tornando decisivas nessa hora, mas não deveriam. Sempre existirá espaço para quem faz o que gosta. Porque quem acredita no que faz, faz seu próprio caminho.

Vale a pena pensar um pouquinho nisso antes de escolher. Boa Prova!